Mia Esmeriz Academy - Learn European Portuguese Online

3 Brazilian Poems Read By A Portuguese

February 05, 2022 Mia Esmeriz Season 1 Episode 31
Mia Esmeriz Academy - Learn European Portuguese Online
3 Brazilian Poems Read By A Portuguese
Show Notes Transcript

If you want to see a Portuguese reading 3 Brazilian Poems, then this video is for you! Portugal and Brazil share the same language, and it is nice that we also share some culture.

I hope you like it! Espero que gostem ;)

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Portuguese Transcript:

Olá pessoal! Hoje decidi fazer uma coisa um

pouquinho diferente. Eu vou ler dois poemas que são

de autores brasileiros e que, normalmente, são lidos

em Português brasileiro… mas eu hoje vou lê-los

com o meu sotaque, em Português de Portugal. Eu

acho muito bonito esta troca de culturas e, no fundo,

é a nossa língua, é uma língua só…

e acho bonito

ter estas variações e, então, eu acho que é muito

interessante ouvir brasileiros a lerem poemas de

Português de Portugal e vice-versa. Por isso, eu

espero que vocês gostem e sim… os poemas que eu

escolhi, eu tenho-os aqui hoje. O primeiro poema

chama-se “Soneto de Fidelidade”, é de 1946 e é de

Vinicius de Moraes e, sim, é sobre o amor.

Então, este poema é assim:

De tudo, ao meu amor serei atento

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto

Que mesmo em face do maior encanto

Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento

E em louvor hei de espalhar meu canto

E rir meu riso e derramar meu pranto

Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure

Quem sabe a morte, angústia de quem vive

Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):

Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure.

É muito bonito este poema.

Outro poema que eu escolhi foi o poema “No meio do

caminho”, de 1928, e é de Carlos Drummond de

Andrade e ele é assim:

No meio do caminho tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

tinha uma pedra

no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento

na vida de minhas retinas tão fatigadas.

Nunca me esquecerei que no meio do caminho

tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

no meio do caminho tinha uma pedra.

Este poema é bastante engraçado e curioso e eu

acho que tem um pouco a ver com as coisas que nos

aparecem no caminho ao longo da vida. Se alguém

quiser dizer mais alguma coisa sobre este poema,

digam-no nos comentários em baixo.

Eu estou aqui a pensar, eu disse que ia ler dois

poemas, mas está-me a apetecer ler mais um. Então,

eu vou ler um (trecho de um) terceiro poema que é o

“Poema Sujo” de 1976 de Ferreira Gullar. Espero

estar a dizer o nome bem.

Ele é assim (apenas um trecho):

(...)

Que importa um nome a esta hora do anoitecer em

São Luís do Maranhão à mesa do jantar sob uma luz

de febre entre irmãos e pais dentro de um enigma?

Mas que importa um nome debaixo deste teto

de telhas encardidas vigas à mostra entre cadeiras e

mesa entre uma cristaleira e um armário diante de

garfos e facas e pratos de louças que se quebraram

já um prato de louça ordinária não dura tanto

e as facas se perdem e os garfos se perdem pela

vida caem pelas falhas do assoalho e vão conviver

com ratos e baratas ou enferrujam no

quintal esquecidos entre os pés de erva-cidreira

quintal esquecidos entre os pés de erva-cidreira

(...)

Isto também, eu estou aqui a ler, “marcadamente

autobiográfico, o “Poema Sujo” é também um retrato

político e social do Brasil dos anos setenta, marcado

pela ditadura militar”. Também se souberem mais

sobre este poema, se quiserem acrescentar mais

alguma coisa, digam-me nos comentários em baixo.

Eu espero que tenham gostado de me ouvir, e que

tenham apreciado este meu pequeno “trabalho”.

E, sim, espero pelos vossos comentários e

mando-vos um grande beijinho e

até ao próximo vídeo.


English Transcript:

Hey guys! Today I decided to do something a

little different. I'm going to read two poems that are 

by Brazilian authors and that are usually read

in Brazilian Portuguese… but today I'm going to read them

with my accent, in Portuguese from Portugal. I

think this exchange of cultures is very beautiful and, bottom line,

this is our language, it's just one language…

and I think

it's beautiful to have these variations and, so, I think it's very

interesting to hear Brazilians reading Portuguese poems from

Portugal and vice versa. So, I

hope you like it and yes… the poems I

chose, I have them here today. The first poem is called

“Soneto de Fidelidade” (Sonnet of Fidelity), from 1946 and is by

Vinicius de Moraes and, yes, it is about love.

So this poem goes like this:

Above all, to my love I'll be attentive

First and always, with care and so much

That even when facing the greatest enchantment

By love be more enchanted my thoughts.

I want to live it through in each vain moment

And in its honor I'll spread my song

And laugh my laughter and cry my tears

When you are sad or when you are content.

And thus, when later comes looking for me

Who knows, the death, anxiety of the living,

Who knows, the loneliness, end of all lovers

I'll be able to say to myself of the love (I had):

Be not immortal, since it is flame

But be infinite while it lasts.

This poem is very beautiful.

Another poem I chose was the poem “No meio do caminho” (In

the middle of the road) from 1920 and it is by Carlos Drummond

de Andrade and it is like this:

In the middle of the road there was a stone

there was a stone in the middle of the road

there was a stone

in the middle of the road there was a stone.

Never shall I forget this event

In the life of my fatigued retinas  

Never shall I forget that in the middle of the road

there was a stone

there was a stone in the middle of the road

in the middle of the road there was a stone.

This poem is quite funny and curious and I

think it has a little to do with the things that get

in our way throughout our life. If anyone

wants to say anything further about this poem,

let us know in the comments below.

I am thinking, I said I was going to read two 

poems, but I feel like reading one more. So,

I'm going to read a (part of a) third poem, which is

Ferreira Gullar's 1976 “Poema Sujo” (Dirty Poem). I hope

I'm saying the name well.

It goes like this (just a part of it):

(...)

What does a name matter at this hour of nightfall in

São Luís from Maranhão at the dinner table under a light

of fever between brothers and parents within an enigma?

But what does a name matter under this roof of

grimy tiles exposed beams between chairs and a

table between a china cabinet and a cupboard in front of

forks and knives and plates that have already broken

a plate of ordinary crockery doesn't last so long

and the knives get lost and the forks are lost for

life fall through floor cracks and go live

with rats and cockroaches or rust in the

yard forgotten among the lemon balm trees

yard forgotten among the lemon balm trees

(...)

This too, I am reading here, “markedly

autobiographical, the “Poema Sujo” is also a

political and social portrait of Brazil in the seventies, marked

by the military dictatorship”. Also if you know more

about this poem, if you want to add anything

else, let me know in the comments below.

I hope you enjoyed listening to me, and that

you enjoyed my little “work”.

And, yes, I'm waiting for your comments and

I send you a big kiss and

see you in the next video.